quinta-feira, 10 de abril de 2008

Kaká, machucado e em baixa, mas prestigiado pela imprensa

A falta de ídolos para apupar faz, mais uma vez, a imprensa reciclar personagens e alimentar histórias de craques que já não são hoje o que foram em um passado não muito distante. É o caso de Kaká, do Milan.
Bastou o brasileiro marcar apenas um gol na vitória de 3 a 1 sobre o Cagliari, nesta quarta-feira, pelo campeonato da Itália, para jornais e sites especializados colocarem o atleta em destaque digno apenas a campeões. Em pouco tempo, jornalistas que cobrem o futebol internacional se esqueceram que Kaká ficou longos sessenta dias sem um golzinho sequer.
Na mesma rodada, Josué, outro ex-são-paulino na Europa, também marcou na vitória de 3 a 2 do Wolfsburg sobre o Hannover, pelo campeonato alemão, e mereceu apenas algumas linhas da imprensa especializada.
A preferência pelo recém-casado e candidato a pastor da Igreja Renascer não leva em conta seu futebol de altos e baixos. O jeito de bom rapaz e a maneira polida de se expressar, fugindo de escândalos e bem longe da noite – endereço quase fixo da maioria de astros, como Robinho, depois da meia-noite, até em vésperas de jogos – rende a Kaká generosos espaços na mídia.
Minutos depois do apito final da partida, os sites do Estadão, da Folha e, é claro, do Lance e do comentário Milton Neves, rasgaram elogios ao jogador, como se só pelo gol dele o Milan saiu vencedor. Na quinta, os jornais, rádios e tevês exageram nas fotos, títulos, textos, imagens, repetições, comemoração, etc., etc., etc.
Quem viu a partida pela TV Record sabe que não foi bem assim. Inzaghi e Andréa Pirlo mandaram em toda a partida, comandaram o time e fizeram os gols complementares do placar para o Milan. Kaká fez apenas o gol.
O que acontece agora com ele é o mesmo que já ocorreu, há pouco tempo, com Ronaldo “Fenômeno”, Ronaldinho Gaúcho e Adriano. O trio foi amplamente apupado em situações absolutamente adversas, em meio a crises, apenas por darem um passe, um lançamento. Nada comparado aos gols que eles deveriam fazer, considerando o que ganham não só por contratos, mas com tudo o que a camisa carrega.
Pra frisar, o baba ovo em cima de Kaká tem mais uma explicação: as torcedoras gostam.

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