VALDECIR CREMON
Se de um lado sobram reclamações do comércio, da indústria e, principalmente da agropecuária, que amargam dados negativos na maioria dos levantamentos de mercado, a construção civil comemora a estabilidade do primeiro bimestre do ano. Na verdade uma comemoração chinfrim diante de antigos percentuais equilibrados, porque no passado hoje investimentos bem mais festivos.
A variação de 0,43% em fevereiro beirou o dado de janeiro (0,44%) e arrancou aplausos do setor, da venda ambulante de tijolos pó-de-mico ao comércio de acabamentos de alto padrão.
O índice nacional, calculado pelo IBGE e pela Caixa Econômica Federal, ainda revela a manutenção de preços na maior parte do país, em comparação a janeiro e a fevereiro de 2007. Se fosse diferente, o setor estaria mais pra “Deus me livre” do que no “parabéns a você”, com saudades de 2005 e 2006, que tiveram números bastante favoráveis a investimentos.
Quem pensava que o metro quadrado da construção fosse ficar perto dos R$ 590,10 de dois anos atrás, e lançou projetos e obras, hoje amarga 5,38% de alta em materiais e 6,92% dos salários da peãozada.
No custo global, o metro quadrado foi de R$ 608,38 de janeiro para R$ 610,99 do mês seguinte. Seria pouco, se a valorização de imóveis tivesse seguido no mesmo passo e superado pelo menos a metade.
O único alívio dos construtores é que o custo de mão-de-obra andou de fasto, dos 0,13% de janeiro para 0,10% de fevereiro. Um lenitivo semelhante nos preços de materiais, que subiram 0,67% no período. Na obra, o lamento não se alivia, porque os custos somados, até agora, saíram do alicerce para o meio da parede. Mas, pode chegar à laje.
Pra não perder o costume, São Paulo e Rio de Janeiro têm os maiores custos: R$ 671,08 contra R$ 547,96 do Rio Grande do Norte e R$ 548,72 do Piauí. Causas para isso não faltam: baixo custo de mão-de-obra e menores exigências do mercado consumidor à sofisticação das obras. Quesitos considerados na pesquisa, mas que aparecem pouco na hora de decidir sobre um imóvel do sudeste ou do norte do país.
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