quinta-feira, 6 de março de 2008

Há 48 anos Senado criava Coletoria Federal em Fernandópolis

Projeto que criou agência da Receita na cidade fortaleceu rede federal para cobrança de impostos



VALDECIR CREMON
Da redação



Se estivesse vivo, certamente o deputado federal Plínio Cavalcanti de Albuquerque teria um motivo para se lembrar de Fernandópolis neste dia 10 de março. É que na data completam-se os 48 anos de instalação da extinta Coletoria Federal na cidade, transformada na década de 60 em agência da Receita Federal.
Aprovada na Câmara, a proposta do parlamentar passou sem dificuldades pelas comissões e o plenário do Senado, entre 1949 e 50.
Albuquerque, que morreu num acidente de carro em 1977 e era filiado ao PTB, foi autor do Projeto-de-Lei número 00817/49 que criou o órgão na cidade, gerando um equilíbrio de importância regional com Votuporanga, que já possuía a Coletoria dois anos antes. Ao mesmo tempo, a instalação posicionou Fernandópolis a frente de Jales, acirrando a disputa regional por prestígio, logo no período de instalação da maioria dos municípios do Noroeste de São Paulo.
Para o deputado, contudo, a questão não parecia ter importância. Notas taquigráficas dos arquivos do Senado, com dados transferidos ao site www.senado.gov.br, mostram que políticos da época queriam mais contribuir com o governo federal do que com municípios ao proporem a criação de coletorias.
O interior de São Paulo era, na década de 40, “uma fonte de riquezas” pela produção de café e a possibilidade de instalação de empresas. O grande volume de dinheiro em circulação só seria conhecido através de um órgão dedicado a cobrar tributos, segundo o jornalista Alberto Vianna, autor de dois estudos sobre a arrecadação de impostos no país, desde o Brasil Colônia até a “era Lula”.
Para Cavalcanti a ação não carregava interesses eleitorais, porque sua base de trabalho era o Vale do Paraíba.
Atualmente, a agência da Receita na cidade funciona em prédio próprio, no bairro Vila Aparecida, de onde acompanha a arrecadação de tributos federais na cidade. Entre janeiro e fevereiro deste ano, o volume recolhido superou a R$ 13 milhões. Isto representa 10% acima da arrecadação no mesmo período de 2007.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como sempre, mantendo a preferência por artigos de pronúncia... A pauta pede base no discurso-anúncio. Mas o texto está ótimo, tem bastante informação. Parabéns pela pesquisa, seu faro encontrou informação no fundo do bau. Isso é jornalismo. Parabéns!

Profa Tatiana Brandini

tatianabrandini@fef.br